Home seta Partidos Politicos seta Ciência e arte a serviço da estratégia

Ciência e arte a serviço da estratégia PDF Imprimir e-mail
Publicado por Sebastian   
28 de fevereiro de 2008

Ciência e arte a serviço da estratégia 

Essas são tarefas, entretanto, que você não conseguirá realizar sozinho. Antes de empreendê-las, você já deve ter constituído o seu estado-maior, isto é, aquelas pessoas cuja confiança, lealdade, experiência e conhecimento as credenciam para assessorá-lo na campanha. A constituição dessse grupo é um desafio a sua capacidade de selecionar as pessoas certas para as funções adequadas. Algumas delas, talvez, já o assessoram há mais tempo. Outras começarão a integrar sua equipe a partir de agora. Devem constituir um grupo capaz de trabalhar bem coletivamente, secundarizando vaidades e interesses individuais pelo objetivo maior de ganhar a eleição.

Campanhas eleitorais costumam atrair egos fortes e afirmativos, líderes nos seus campos específicos de atuação. O reconhecimento do mérito e o prêmio à competência são sempre a aprovação do candidato. Dessa situação decorre um certo grau de competitividade entre os membros que, mantido dentro dos limites fixados pelo objetivo maior de ganhar, é positivo. Extrapolar tais limites, entretanto, tornando-se uma rivalidade pessoal, é altamente destrutivo.


A equipe de campanha precisa saber trabalhar coletivamente rumo à vitória

Além do potencial desentendimento entre os membros mais próximos do candidato, há também os fatos de natureza política e estratégica. A definição da estratégia é sempre o resultado da ciência e da arte. A ciência, sobretudo a pesquisa, leva a equipe com segurança,até um certo ponto. A partir dali, é obra da criatividade, da imaginação e do talento. Trata-se de uma criatividade que se erige sobre fundamentos sólidos do conhecimento confiável, mas a formatação final da estratégia, sua linha de comunicação com o eleitor, é obra da arte: da imagem bem escolhida, das frases bem apanhadas; da história narrada de forma atraente; da sintonia com o sentimento do eleitor; do slogan, do jingle e da marca que aderem ao candidato e o identificam para o eleitor; das propostas apresentadas com clareza e persuasão; das cores, do movimento e do ritmo das peças publicitárias.

Por isso, insistimos tanto na capacidade de a equipe saber trabalhar junto, respeitar-se e não permitir jamais que a brilhatura pessoal, a vaidade e a competição interna adquiram mais importância que o objetivo de vencer. A equipe que você vai formar terá seus cientistas (pesquisa), seus teóricos (estrategistas) e seus artistas (publicitários). Todos devem saber quais são seu momento e seu limite. Como regra, o trabalho científico – pesquisa e segmentação do eleitorado - vem antes. Sua tarefa é definir com clareza qual é a mensagem certa para o eleitorado certo. Ou seja, a mensagem da candidatura que corresponde aos sentimentos e prioridades do eleitor - e qual eleitor pode vir a votar em você.

Definida essa questão, a publicidade se encarrega de formatar a mensagem de maneira a dotá-la da capacidade de comunicação. É mediante a propaganda que a mensagem certa chega aos eleitores certos, de forma atraente, envolvente e persuasiva. Esse é um trabalho muito mais da arte que da ciência. A separação da elaboração estratégica entre as duas significa que publicitários podem dar idéias e ter o que dizer sobre as pesquisas, assim como os estrategistas e pesquisadores também sejam ouvidos sobre a comunicação. Se a equipe trabalha bem em grupo, têm-se muito a ganhar com esta fertilização cruzada.

Atenção! A penúltima palavra sobre um campo e outro pertence aos respectivos especialistas. A última palavra deve sempre ser a sua. São cuidados que podem parecer excessivos. Esteja, entretanto, certo de que não o são. Ao contrário, constituem um investimento seguro na eficiência de sua campanha.