Dê uma forma definitiva ao seu currículo
Seu currículo é sua biografia resumida, a base de sua imagem e o registro de suas credenciais para o cargo que pleiteia. Não é, pois, assunto que se trata com desleixo. Um erro factual pode ser explorado como mentira, como deturpação que lhe favorece ou como evidência de sua falta de credibilidade. Basta lembrar a controvérsia que envolveu Ciro Gomes na eleição presidencial de 2002. Um descuido do candidato fez com que se atribuísse dois ou três anos a mais de freqüência à escola pública do que ele efetivamente cursou. Imprudência aparentemente irrelevante. Aparentemente... Explorada por seus adversários, fez com que Ciro tivesse que gastar minutos preciosos do tempo na TV para se explicar.
O currículo para a campanha deve ser elaborado com todo cuidado. Não deve omitir nada de importante - ou os adversários se encarregarão de completá-lo durante a campanha - e não deve estender nenhuma realização além do que efetivamente ocorreu - se você não chegou a terminar aquele curso, embora tenha dele participado intensamente até o fim, não estique esta informação, dizendo que fez o curso. As regras fundamentais são a sinceridade, a verdade e a precisão. Você não está obrigado, entretanto, a dar conta de cada ano de sua vida, tampouco informar itens absolutamente irrelevantes à disputa e ao cargo.

A ida de Lula a São Paulo, a bordo de um pau-de-arara, foi contada pelo atual Presidente nas eleições de 2002
Um currículo é sempre construído com um objetivo em mente. Assim, as realizações que recomendam uma pessoa para um concurso público ou para um emprego numa empresa não são necessariamente as mesmas que vão interessar o eleitor. Sem mentir e distorcer, você deve fazer uma seleção criteriosa de seu passado, valorizando mais aquelas informações que o credenciam para o cargo. O ideal, do ponto de vista eleitoral, é que o currículo contenha uma história na qual obviamente você é o protagonista. Algo que facilite sua identificação com o eleitor e que contenha os atributos de um conto: enredo e personagens capazes de dar consistência a uma narrativa interessante.
Na eleição presidencial de 2002, Lula contou a história de sua vida como uma narrativa dramática - o nascimento em Pernambuco, a viagem no pau-de-arara para São Paulo, os primeiros empregos, o acidente que provocou a perda do dedo, a família que constituiu, a experiência como líder sindical, a batalha para criar o PT, as disputas presidenciais. A história pessoal contada assim é sempre atrativa. As pessoas têm curiosidade sobre a vida de famosos e importantes e a narrativa é uma fórmula que encontra ressonância no eleitor, que com ela está familiarizado desde criança.
Atenção! Se você tem uma história de vida que pode ser apresentada como uma narrativa ou que contenha um episódio que possua tais características, use-a. Vai tornar muito mais fácil a aceitação de sua candidatura pelos eleitores. Mas se você não tem, não invente uma. Forjar uma biografia para favorecê-lo é um ato que o eleitor não perdoa - e que o adversário explora até o seu último limite.
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